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Projeto Viver Mais
Vida é Saúde e Beleza
 

Novas Leis da Alimentação Humana

Paul Kouchakoff

1937

Memórias da Sociedade Vaudoise das Ciências Naturais

 

Texto publicado pelo médico russo,

radicado na França
(Artigo disponível na biblioteca da Fiocruz)
 

 

 Leucocitose digestiva: aumento dos leucócitos (células de defesa) em função da ingestão de alimentos. Como se o corpo entendesse que estes alimentos são agentes invasores, e, por isso, se prepara para o combate. Por isso, ao fazer exame de sangue, costuma-se manter um período anterior de jejum, para que, caso haja leucocitose, ela não seja por causa de alimentos, mas resultado de alguma infecção/inflamação.


Histórico

Donders observa primeiro, em 1846, um aumento do número de leucócitos do sangue depois de uma refeição. Esta constatação foi confirmada em 1859, por Virchow que deu a este fenômeno o nome de “leucocitose fisiológica-digestiva”. Ele admitiu que o aumento do número de glóbulos brancos depois da refeição era um fenômeno fisiológico normal. Em 1878, Dupérié mostra, na sua tese, a existência da leucocitose digestiva em relação à natureza do alimento ingerido. As concepções de Virchow são ainda hoje geralmente admitas pelo mundo estudioso.

 

Mas Kouchakoff observa que isto ocorre apenas quando se ingere alimentos cozidos ou processados, e conclui em seu artigo que:


Parece que se possa tirar do conjunto de nossas experiências e observações a seguinte conclusão: a modificação da fórmula sanguinea que se observa depois de cada refeição e que era considerado, desde Virchow e até o presente como um fenômeno fisiológico, deve ser considerado em realidade como um fenômeno patológico. Esta leucocitose digestiva é uma prova que a comida geralmente absorvida pelo homem não pode ser normalmente assimilada e que este aumento do número de glóbulos brancos e a modificação da formula leucocitária não são outra coisa que a mobilização dos leucócitos para a defesa do organismo contra um elemento estrangeiro a sua economia. Ou seja, o regime ordinário sobrecarrega o organismo de elementos em excesso no qual ele mantém somente o que é útil e necessário; lhe é imposto um trabalho de eliminação que usa suas reservas biológicas e se traduz, em particular, por um desperdício de energia.

 
 
(grifo nosso)